Maltratos à coisa pública

porquinho-cofrinhoSegundo se pode ler na Wikipédia, “res publica” é uma expressão latina que significa literalmente “coisa do povo”, “coisa pública”.

Ela é a origem da palavra “república” e, conceitualmente, da palavra inglesa “commonwealth”.
O termo, normalment, se refere a algo não considerado propriedade privada, mas mantido em conjunto por muitas pessoas. E a palavra “pública” é o feminino singular do adjetivo de
1ª e 2ª declinação “publicus, publica publicum”, derivado por sua vez de uma forma mais antiga, “poplicus” – relacionada a “populus” (povo).
Essas reminiscências são pertinentes quando se fala de coisa pública no Brasil. Aí está a origem da palavra “república”. É igual a “rés publica” que é igual à coisa pública – menos em nosso país.
Este é um problema cultural, histórico, que ganhou, na era de Lula e Dilma, um exagero sem limites. Toda a coisa pública brasileira se tornou coisa deles, dos petistas e de seus aliado$ de oca$ião.
Não custa – uma vez que a realidade do uso da coisa pública em favor do grupo que se alojou no poder central é um tapa na cara diário de cada brasileiro – relembrar o que dizia o Frei Vicente de Salvador, em 20 de dezembro de 1627, portanto, há 386 anos:
“Uns e outros usam da terra só para desfrutarem e a deixarem destruída(…). Nesta terra nenhum homem é republico, nem zela ou trata do bem comum, senão cada um do bem particular (…) o que é fontes, pontes, caminhos e outras coisas públicas, é uma piedade”.
Essas considerações iniciais não são, para efeito de justiça histórica, uma desculpa para justificar os meios e métodos de arrasa-patrimônio público, que se pratica no País há séculos; apenas visa a deixar claro que o partido que chegou ao poder em nome da moralidade pública se tornou o mais extremado na apropriação e uso da coisa pública em favor pessoal ou de grupos.
Está aí o Mensalão para comprovar. Pondo o Mensalão em campo cabe notar, na mesma linha de raciocínio, três desdobramentos interessantes.
O primeiro é a tentativa desesperada do governo Lulilma e do petismo de reverter no STF algo que ficou consagrado como crime. Dois dos principais condenados, José Dirceu e José Genoíno, ambos antes influentes donos do País na primeira gestão de Lula, ainda pensam que a coisa pública é deles. Não há limites para a desfaçatez.
O segundo é o que fez Genoíno: sob o olhar pasmo do País, sabendo que vai para a prisão e que perderá seu mandato de deputado federal (suplente em exercício), requereu aposentadoria por invalidez – o que significa que mesmo depois de preso e destituído do mandato, vai seguir pelo resto da vida recebendo pensão de aposentado acima de 30 mil reais.
Dos cofres públicos, claro. O Brasil merece ser tratado como coisa particular de alguns?
Merece receber tapas na cara, na decência, na dignidade, a cada atitude desses réus, desses criminosos condenados? Deve merecer…
O terceiro desdobramento é o verdadeiro escárnio como José Dirceu e seus companheiros agridem a sociedade brasileira, mesmo depois de julgado e condenado da forma mais aberta e justa possível.
Eles se reúnem, em clima de festa de família, como se fosse uma comemoração, para assistir pela televisão o julgamento pelo STF dos recursos dos réus condenados. E rejeitados, nos casos de nomes mais expressivos.
Além da torcida e das declarações impróprias, descabidas, dos bajuladores presentes, ainda convocam a imprensa para dar cobertura à festinha, com direito à primeira página
e manchete nos jornais. O Brasil está, definitivamente, fora de rumo.
De resto, nossa presidente, Dona Dilma, dentro de suas limitadas ações – que a propaganda massacrante martela na mídia como grandiosas –, tenta mostrar um cacife que não tem, no caso da denunciada espionagem norte-americana.
As ameaças sobre os yankees soam ridículas, tacanhas. A quem entende o jogo político internacional, provocam até constrangimento pela sua visão pequena.
A regra do bom jornalismo manda evitar adjetivos.
É impossível, hoje em dia. Não há nada de substantivo no poder público.
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